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11WCC: O futuro da arquitetura global está na diplomacia e no multilateralismo

Revolução digital, papel das câmaras de comércio e tensão China X EUA são pautas no congresso mundial de câmaras de comércio

12 de junho de 2019 - 16:21

Rupturas na ordem geopolítica acarretam mudanças na arquitetura institucional. As estruturas de poder se modificam à medida em que os líderes das potências mundiais tomam decisões. Diplomacia e multilateralismo- o empenho conjunto entre nações- podem mudar definitivamente os rumos de tensões entre a China e os Estados Unidos, por exemplo.

Com as abordagens tradicionais sendo desafiadas e a ordem geopolítica sendo substituída por um modelo emergente da revolução digital e marcado pela Indústria 4.0, a arquitetura institucional global enfrenta o seu maior desafio dos últimos 50 anos. Ao passo que a credibilidade das instituições perante o público diminui drasticamente, segundo uma pesquisa global que revela que apenas 15% da população em geral acredita que o sistema atual está funcionando, deve-se repensar qual o papel dos líderes empresariais nesse cenário de rupturas e novos caminhos.

O tema da plenária que inaugurou o 11th World Chambers Congress foi “Um mundo disruptivo: Abrindo novos caminhos para um futuro compartilhado”. Dela participaram a diretora executiva da Organização Mundial do Comércio (OMC), Arancha González; o presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Federação Russa, Sergey Katyrin; o diretor-geral adjunto da OMC, Alan Wolff; o secretário geral da ICC China, Jialong Yu; e secretário especial do Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia do Brasil, Marcos Troyjo. O moderador do debate foi John W.H. Denton AO, secretário geral da International Chamber of Commerce (ICC).

A representante da OMC, Arancha González falou sobre as três revoluções simultâneas com que os governos, empresas e cidadãos lidam nos dias de hoje: “Primeiro a revolução digital, que está mudando nosso jeito de comercializar, nosso jeito de trabalhar. Um dia, recentemente, fui a uma conferência onde Sofia, uma robô, estava fazendo o discurso. Então pode ser que meu trabalho seja substituído em breve. É isso que a revolução digital está fazendo com nosso tecido econômico. Muitos trabalhos surgirão, mas muitos desaparecerão também”, prospecta. “A segunda revolução é social, causada pela insegurança econômica, que abala todos acerca de suas próprias perspectivas. A terceira revolução é ecológica. Estamos descobrindo que o planeta tem limites. Por isso fico feliz em ver a ICC empenhada no combate às mudanças climáticas e à degradação ambiental”. González defende que trabalhar as três revoluções em conjunto é o caminho para a restauração da confiança nas instituições e a criação de economias mais sustentáveis.

Arancha González, diretora executiva da OMC

O secretário geral da ICC China, Jialong Yu, falou sobre as tensões de negociação entre a China e os Estados Unidos, e como o multilateralismo pode influenciar no contexto de tensão entre os dois países: “Muitos se perguntam quais medidas as empresas na China estão tomando para se ajustar à situação atual. Eu posso afirmar que as companhias chinesas estão explorando novos mercados. O histórico de abertura da China tende a aumentar em prol da criação de um ambiente mais amigável de negócios. Vamos criar um vasto campo de possibilidades de negócios, que inclui os Estados Unidos”. O secretário geral finaliza: “A comunidade de negócios deveria assumir mais responsabilidades do que nunca, especialmente em atuar ativamente na mudança dos valores globais”.

Pela câmara de comércio russa, Sergey Katyrin ressaltou a importância do trabalho desempenhado pelas entidades de representação empresarial: “Câmaras de comércio estão tornando o desenvolvimento global mais previsível e sustentável nesses tempos de mudança”.

Alan Wolff, da OMC, citou o G20, grupo que agrega as 19 maiores economias mundiais e a União Europeia, como um primeiro passo para se reconstruir a confiança no mundo da negociação: “Tem que haver mais justiça no mundo dos negócios. O G20 é um bom lugar para se iniciar um processo de restauração de confiança”.

O brasileiro Marcos Troyjo falou sobre o papel da tecnologia da informação no mundo disruptivo e defendeu o multilateralismo como um instrumento para conseguir resultados práticos nas relações internacionais. Ele citou também a tendência ao ciclo de “reglobalização” que o mundo vive e como o Brasil deve se preparar para essa etapa: por meio da abertura da economia. Os “países que emergem são aqueles que se adaptam e se moldam aos ciclos de globalização”, afirmou Troyjo.

Marcos Troyjo, secretário especial do Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia do Brasil

Congresso

O #11WCC reúne cerca de 1000 participantes de 100 países, no Windsor Convention & Expor Center, no Rio de Janeiro, entre 12 e 14 de junho. Confira fotos da palestra.

 

Por Joana de Albuquerque Pae

Assessoria de Comunicação do #11WCC

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