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Jovens empresários do DF trilham o caminho da internacionalização com programa Jovem Exportador

A iniciativa recebe recursos da União Europeia, por meio do programa AL-Invest 5.0, que beneficia empresários em 17 países da América Latina desde 2016

09 de dezembro de 2019 - 08:00

O jovem empresário brasileiro, apesar de considerado um dos mais inovadores do mundo pelo MIT, ainda não considera expandir seus horizontes para além das fronteiras do país. Uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje) aponta que apenas 10% das empresas de jovens atuam no mercado internacional.

Para o benefício desses empreendedores, existem projetos que buscam reverter o quadro, apontando caminhos para explorar as vantagens da internacionalização. O programa Jovem Exportador, lançado pela Associação de Jovens Empresários do Distrito Federal (AJEDF) e apoiado pela União Europeia, por meio do AL-Invest 5.0, tem como objetivos viabilizar e fomentar o processo de exportação brasileira por meio da metodologia “Trilha da Internacionalização de Negócios”.

O método, que orienta e direciona as empresas para práticas inovadoras do mercado internacional e de exportação, faz a combinação entre o processo de gamificação e a trilha da exportação. O objetivo é que o participante tome conhecimento dos requisitos e processos básicos praticados na área de internacionalização de negócios. A trilha é um processo de 5 etapas: sensibilização de empresas; inteligência de mercado; adequação de produtos e processos; promoção comercial; e comercialização.

O jovem Gustavo Braga é o representante da 2B Internacional, empresa que participou da Trilha de Exportação com produtos da marca Café Santa Helena. Para ele, o diferencial do programa está na possibilidade de networking: “Para o empresário que está pensando em expandir seu negócio fora do Brasil, o projeto traz informações centralizadas e coloca-o em contato com pessoas que resolverão seus problemas no que diz respeito ao planejamento”, afirma Braga, que acredita que entre os principais desafios do jovem empreendedor brasileiro está a burocracia excessiva: “Por mais que haja programas do governo, a burocracia estatal gera o grande gargalo do jovem empresário. Por exemplo, hoje você tem que ter um custo fixo muito alto para abrir uma empresa, ou seja, não se pode arriscar”. O mercado internacional surge como uma opção para o empreendedor que deseja expandir seu negócio.

 

Trajetória

O projeto, lançado em setembro de 2018, conta com 69 empresas já capacitadas e 140 empresas de 10 estados do Brasil cadastradas para as próximas edições. A iniciativa foi reconhecida pela Conaje como caso de sucesso em aceleração para o mercado internacional.

Na primeira edição da Trilha de Exportação, a AJE selecionou 16 empresas com maturidade exportadora para uma missão empresarial com destino a Xangai, na China. O programa levou os empresários para conhecer novos mercados, fornecedores e produtos.

Segundo Braga, que estreou em Xangai como expositor em feiras internacionais, o programa foi o pontapé inicial para ter acesso a fornecedores: “Me preparei a vida toda para trabalhar com esse tipo de negócio, faltavam os contatos, os clientes, os fornecedores. A Trilha teve um papel importante de abrir caminhos que me levaram a fechar negócios”, afirma o empresário, exaltando também o aprendizado sobre abordagem a clientes.

Das empresas que foram a Xangai, duas foram selecionadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX BRASIL) para participarem do pavilhão brasileiro da China International Import Expo 2018 (CIIE – SHANGHAI), missão destinada a empresas iniciantes no mercado chinês, que ofereceu uma agenda de prospecção de mercado e de negócios.

De volta ao Brasil, as empresas iniciaram, dentro de seus negócios, consultorias estratégicas para adequação de produto e os ajustes necessários para iniciar a parte logística.

A AJE continuou com o programa de capacitação, eventos de networking com embaixadas que conectaram empresários a seus departamentos comerciais. As empresas deram continuidade ao processo de consultorias para adequação de seus produtos ou serviços para acesso ao mercado internacional.

Após a missão, o próximo passo da AJE foi criar uma assessoria dentro do programa a fim de atender, em escala nacional, empresas que passaram pela trilha de exportação.

 

Um novo caminho

Em maio de 2019, o programa Jovem Exportador lançou a 2ª edição da Trilha de Internacionalização de Empresas. Dessa vez, o país destino das empresas beneficiadas será Portugal. Serão sete dias de inteira imersão no mercado europeu, com foco na adequação de produtos e serviços das empresas participantes. Segundo o presidente da AJE, Ronan Pires, “além de ser uma porta para o mercado europeu, a proximidade cultural e linguística favorece a transferência de conhecimentos, bem como a existência de acordos comerciais que privilegiam a relação entre o Brasil e Portugal”.

 

Instituto Jovem Exportador e participação governamental

No Distrito Federal, a Secretaria Nacional da Juventude do DF, junto ao Governo do Distrito Federal (GDF), assinou, em maio deste ano, um termo de cooperação para atuar como co-realizadora do Programa Jovem Exportador. Os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Pará desenvolvem projetos para lançar o programa com iniciativa do próprio governo.

O presidente do programa explica como funciona a adoção do programa por governos estaduais: “Devido ao sucesso da primeira edição da Trilha, os idealizadores do programa criaram o Instituto Jovem Exportador, que tem como objetivo coordenar as ações nacionais e articular com os governos locais que têm interesse em adotar o programa”.

 

AL-Invest 5.0

Segundo aponta uma pesquisa do Sebrae, os empresários mais jovens são os que mais realizam cursos de empreendedorismo, seja antes de abrirem o negócio ou após iniciarem sua vida nesse mercado.

O levantamento, que foi feito com 3.132 empresários de todas as idades e visava a traçar o perfil dos jovens empreendedores brasileiros, identificou também que o grupo tende a ser mais inovador. Por exemplo, para 16% dos donos de negócios com até 24 anos, as tecnologias, recursos e ferramentas disponibilizadas pelas suas empresas surgiram em menos de um ano de atividade. Esse percentual é bem maior que o verificado nos empresários com idade de 25 a 34 anos (9%), bem como dos empreendedores com mais de 35 anos (8%).

Iniciativas como o AL-Invest 5.0 fomentam a capacitação de jovens empresários que buscam trazer inovação e qualificação para suas empresas. A promoção de sustentabilidade e expansão para os negócios é possibilitada pelos recursos da União Europeia, que criou o programa em 1994.

As ações desenvolvidas incluem participação dos empresários em feiras e exposições nacionais e internacionais, organização de eventos, formação de novos núcleos de empresários, apoio para consultorias, capacitações e oficinas em diversas áreas, como inovação, responsabilidade social empresarial, gestão ambiental, entre outras.

A atual edição do AL-Invest é a quinta promovida pela União Europeia, foi iniciada em 2016 e se encerra no final de 2019. Nesse período, o programa atuou em 17 países da América Latina. Além do Brasil, fazem parte Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Ao total, foram mais de 31 milhões de euros investidos no crescimento de 34 mil MPEs. O programa, que superou a meta de 27 mil empresas, estipulada inicialmente, envolveu o empenho de 110 organizações empresariais espalhadas pela América Latina, que realizaram a execução e o monitoramento dos projetos localmente.

 

AL-Invest no Brasil

O AL-Invest 5.0 já atendeu nesta edição cerca de 10 mil empresários brasileiros com o investimento de 3 milhões de euros em projetos de fortalecimento de micro e pequenos negócios no país. A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), que é a representante nacional no consórcio executor e também monitora os projetos das entidades atendidas diretamente pelo programa, apoiou 260 ações de quase 3 mil empresas em nove estados, superando as metas estipuladas inicialmente.

Para analisar todos os resultados das entidades participantes no país, a CACB recebeu membros da Cainco, da União Europeia e de entidades brasileiras executoras de projetos para realizar uma avaliação do AL-Invest 5.0 no Brasil. O evento ocorreu em Brasília, nos dias 10 e 11 de outubro.

Na oportunidade, empresários beneficiados compartilharam seus resultados e experiências com o projeto. Houve, ainda, exposição de produtos dos participantes: frutas e alimentos orgânicos, cervejas artesanais, peças de lingerie, e outros materiais promocionais.

Carlos Rezende, coordenador executivo da CACB e responsável pelo projeto na entidade, agradeceu o esforço das entidades e dos profissionais presentes e descreveu que o sistema das associações comerciais obteve muitos ganhos com o desafio de fazer parte do AL-Invest 5.0: “Foi um aprendizado muito interessante, entender as metodologias aplicadas por outras  entidades empresarias  tão representativas e ter a oportunidade de colaborar com nossa expertise com núcleos setoriais, por meio do programa Empreender. Só podemos agradecer a confiança em nosso trabalho.”.

“O capital humano é básico em todas as instituições – não chegamos a lugar nenhum sem as pessoas, mesmo que tenhamos os processos estabelecidos. A Cainco tem o privilégio de ser coordenadora deste projeto e fica claro, com este evento enriquecedor, a magnitude do trabalho que, só agora, ao final da caminhada, conseguimos mensurar”, concluiu Bernardo Arce, executivo da entidade boliviana.

De acordo com o vice-presidente da Micro e Pequena Empresa da CACB, Luiz Carlos Furtado, “como membro do consórcio executor do AL-Invest 5.0, a CACB tem muito orgulho das ações realizadas no país. A metodologia do nosso programa Empreender, promovido em parceria com o Sebrae há mais de 20 anos, tem servido de apoio para fortalecer as ações em diversas cidades – isso revela o papel multiplicador do nosso sistema e garante o sucesso dessa que é a mais importante cooperação internacional financiada pela União Europeia para o setor empresarial da América Latina”.

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Assessoria de Comunicação do Empreender/AL-Invest 5.0

  • Katiuscia Sotomayor
    katiuscia.sotomayor@cacb.org.br

    Joana de Albuquerque Pae
    joana.albuquerque@cacb.org.br

  • Bernardo Fonseca
    bernardo.fonseca@cacb.org.br
O Empreender é um programa da CACB, em parceria com o SEBRAE, que visa o fortalecimento da micro e pequena empresa ao reunir empresários de um mesmo município nos chamados núcleos setoriais. Neles, os empresários discutem seus problemas e buscam soluções conjuntas com apoio de um profissional vinculado à entidade empresarial.