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Demanda de emergentes leva Banco Mundial a recorde de empréstimos

FMI deve anunciar nesta terça-feira um rebaixamento da última previsão de crescimento global de 3,4% para o ano

11 de abril de 2016 - 20:16
Pedestres passam por anúncio de encontro do FMI e do Banco Mundial em Washington, DC. (Foto: Mandel Ngan/AFP)

Pedestres passam por anúncio de encontro do FMI e do Banco Mundial em Washington, DC. (Foto: Mandel Ngan/AFP)

O Banco Mundial atingiu níveis recordes de empréstimos concedidos, desde os reflexos da crise de 2008, com um aumento na demanda por parte de exportadores de commodities de países emergentes.

Ministros das Finanças e representantes de bancos centrais pelo mundo devem se reunir em Washington nessa semana, em encontros do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional). Deste último, espera-se para terça-feira (12) o anúncio de um rebaixamento da última previsão de crescimento global de 3,4% para o ano.

Além de discussões envolvendo temas como paraísos fiscais e a desaceleração das economias emergentes, o Banco Mundial terá que discutir o aumento nos pedidos de empréstimos de exportadores de commodities como Indonésia, Nigéria e Peru, que lutam para lidar com os efeitos do colapso nos preços globais das commodities.

No ano fiscal a junho, o banco deve emprestar de US$ 25 bilhões a US$ 30 bilhões através de seu principal braço de empréstimos, o Bird (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento), disseram dois funcionários do banco ao “Financial Times”. Isso seria mais do que o Bird ofereceu a países membros desde o rescaldo da crise financeira de 2008, que levou o banco a emprestar US$ 44,2 bilhões em 2010.

“É o nosso maior nível de empréstimo em um período que não é de crise”, disse Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial, que começou uma campanha para aumentar o capital do banco, em parte devido à crescente demanda por resgate.

Parte do crescimento do crédito, disse Kim, foi por causa do aumento dos pedidos de empréstimo com crises que vão do surto de ebola ao êxodo de milhões de pessoas da Síria e outros países afetados por conflitos, bem como respostas de longo prazo a assuntos como mudança climática.

Mas quase metade dos empréstimos deste ano –cerca de 45%– devem vir na forma do que o Banco Mundial chama de “empréstimos para políticas de desenvolvimento”, isto é, emprestar diretamente para orçamentos nacionais que não estão vinculados a projetos específicos, disse Sri Mulyani Indrawati, chefe de operações do banco.

A demanda por tais empréstimos vem crescendo conforme o colapso no preço do petróleo e outras commodities deixa lacunas orçamentárias em países como a Nigéria. Maior exportador da África, o país vê sua situação econômica se deteriorar e buscou no banco a ajuda para lidar com um deficit orçamentário previsto em US$ 11 bilhões nesse ano.

CRÍTICAS

Esse tipo de empréstimo tem levado a críticas de que o Banco Mundial corre o risco de interferir na função do FMI de dar respostas a crises e que o banco estaria, na verdade, possibilitando que governos evitem a difícil decisão política de pedir assistência ao FMI.

Há algumas evidências de que os empréstimos pelo banco têm ajudado os governos a, pelo menos, adiar uma negociação com o fundo, cujos resgates são, muitas vezes, acompanhados de exigências por reformas e estigmas para o país.

Na semana passada, a Angola pediu um empréstimo de emergência ao FMI –é a segunda vez em menos de sete anos que o país recorre ao fundo. No entanto, esse movimento veio apenas nove meses após a Angola ter recebido um pacote de apoio ao orçamento do Banco Mundial no valor de US$ 650 milhões, e depois de ter passado anos ganhando apoio financeiro da China para evitar um retorno ao fundo.

Tanto Kim quanto Sri Mulyani negam que o Banco Mundial esteja tentando ocupar o lugar do FMI. Segundo eles, os empréstimos do banco também são acompanhados de uma série de exigências por reformas e em sintonia com o fundo.

“Eu acho que não seria fácil encontrar um país que nos vê como um recurso mais fácil do que o FMI”, disse Kim.

O aumento da demanda reforça a necessidade de os acionistas do Banco Mundial considerarem dar mais recursos ao banco, disse Kim. Durante os últimos dois anos, o banco já reduziu sua base de custos em US$ 400 milhões e tem encontrado novas maneiras de alavancar seu patrimônio existente. Ainda assim, diz Kim, o banco precisa de mais munição.

Acionistas estão trabalhando para o reabastecimento, ainda nesse ano, dos empréstimos concedidos pelo banco a países pobres. Isso será acompanhado por uma discussão maior sobre a estrutura de capital do Banco Mundial, que deve atingir seu clímax no ano que vem, disse Kim.

Fonte: Folha de S.Paulo

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