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Após impeachment, Temer se prepara para combater críticos

22 de agosto de 2016 - 14:21
Presidente interino, Michel Temer, em Brasília: ele se prepara para combater críticos - AFP

Presidente interino, Michel Temer, em Brasília: ele se prepara para combater críticos – AFP

Após completar cem dias à frente do governo e chegar à reta final do processo de impeachment, o presidente interino, Michel Temer, planeja ações para combater o ceticismo de empresários e aliados insatisfeitos com a maneira como tem conduzido o ajuste nas contas públicas, considerado essencial para a recuperação da economia do país.

Dois empresários que estiveram recentemente com Temer disseram à Folha que o governo recuou diante de todas as corporações que até aqui reagiram contra medidas propostas pelo governo.

Eles acham que, se Temer continuar assim, poderá chegar ao fim de seu mandato em situação semelhante à do ex-presidente José Sarney (1985-1990), que encerrou seu governo com a inflação em alta e a popularidade no chão.

Em conversas recentes com empresários e líderes tucanos que lhe fizeram cobranças desse tipo, Temer afirmou que a interinidade impõe limites à sua atuação e prometeu que, depois que o processo de impeachment acabar, será ele quem irá cobrar dos aliados a aprovação de medidas econômicas impopulares.

O julgamento da presidente afastada, Dilma Rousseff, pelo Senado terá início na próxima quinta-feira (25) e deve ser concluído até dia 31. Se Dilma for condenada, Temer deixará de ser interino e terá a missão de governar até o fim de seu mandato, em 2018.

Os empresários ouvidos pela Folha, que pediram para não ser identificados, disseram estar dispostos a dar um voto de confiança a Temer, mas afirmaram que o governo poderia ter sido menos hesitante mesmo durante o atual período de interinidade.

Para um assessor presidencial, Temer exibiu até aqui sua habilidade para a conciliação política, mas está disposto a contrariar interesses depois que assumir a Presidência em caráter definitivo, se for necessário.

PRIMEIRO PASSO

Temer deu um primeiro passo nessa direção na sexta (19), quando reuniu a cúpula do Congresso, líderes partidários e ministros para discutir uma estratégia para a aprovação de sua agenda econômica e evitar a criação de novas despesas pelo Congresso.

“O governo fará após o impeachment tudo que for necessário para pôr a economia nos trilhos, fazendo com que ela volte a crescer e gerar emprego”, afirmou o ministro Geddel Vieira Lima, chefe da Secretaria de Governo. “Ele fará o que for necessário, seja popular ou impopular.”

Temer tem uma viagem prevista à China assim que o processo de impeachment terminar. Ele planeja fazer logo depois uma espécie de tour mundial, num esforço para recuperar a credibilidade perdida pelo país após meses de instabilidade política.

Além disso, o presidente interino pediu à sua equipe que organize encontros com investidores e agências de classificação de risco, numa tentativa de dissipar dúvidas sobre os rumos da economia.

Temer também pretende mudar sua relação com o Congresso e os principais partidos da sua base, abrindo espaço para que o PSDB e o DEM tenham maior protagonismo. Nas palavras de um assessor presidencial, o governo será mais “firme” e “duro” ao cobrar fidelidade de aliados na votação de medidas de interesse do governo.

O governo também deve apresentar logo após o impeachment seu programa de privatizações e concessões, além de medidas regulatórias para estimular investimentos.

Para a equipe do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a prioridade será a aprovação da proposta que impõe um teto à expansão do gasto público e da reforma da Previdência Social, cujo projeto ainda não foi apresentado.

Em conversas com analistas e empresários, integrantes da equipe econômica têm dito que o encaminhamento das reformas e do programa de privatizações, além de mudanças na gestão das estatais, permitirá a volta da confiança e do crescimento.

Se o Congresso aprovar as medidas propostas por Temer, a equipe de Meirelles aposta que o país poderá crescer quase 4% em 2018, último ano do mandato de Temer.

Fonte: Folha de S. Paulo

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