O Banco Central (BC) recebeu ontem uma demanda que preocupa os comerciantes, principalmente nesta época de grande fluxo de compras devido à Black Friday e às festas de fim de ano. Os lojistas estão enfrentando dificuldades e desconforto por causa de falhas no sistema de compensação de cartões de crédito e de débito.

De acordo com documento encaminhado pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), ao chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos do BC, Flávio Tulio Vilela, desde 13 de novembro, os créditos referentes a operações com cartões não são transferidos para as contas dos comerciantes.

Como resposta, as empresas recebem uma sucessão de justificativas sem definição de culpados ou de como solucionar a questão. Ao procurarem as credenciadoras de cartões, são informadas que o problema é dos bancos. As instituições financeiras, por sua vez, alegam dificuldades sistêmicas para processar o comando de pagamento e disponibilizar os valores devidos nas contas dos estabelecimentos comerciais.

Honório Pinheiro, presidente da CNDL e coordenador da Unecs, afirma que o problema prejudica os mais diversos setores do varejo

Para o presidente da Unecs, Honório Pinheiro, o problema prejudica os mais diversos setores do varejo. “Enquanto a situação não é solucionada, temos várias atividades, ou todas, com recursos presos. Importante lembrar que o fim do ano é uma das épocas em que as vendas do comércio possuem a taxa mais alta e muitos comerciantes estão sem poder realizar pagamentos de fornecedores, de funcionários”, observou. Pinheiro lembrou que hoje entre 60% e 90% do setor trabalha com cartões de crédito e de débito. São poucos os que ainda utilizam moeda.

O empresário Wagner Silveira Júnior, 55 anos, afirmou que sofreu com o problema na sexta-feira passada. “Foi resolvido em dois dias, mas, se a pessoa está dependendo daquele dinheiro, esse lapso é um prejuízo grande. Ficamos praticamente de mãos atadas. No meu caso, não fui prejudicado porque tinha como cobrir os dias que o dinheiro não caiu. Mas nem todos se recuperaram da crise, e o atraso pode obrigar a pessoa a entrar em cheque especial e se endividar”, afirmou. Júnior observou que, se a situação fosse contrária, os comerciantes teriam de pagar multas e juros pelo atraso. “A gente não pode atrasar, mas eles atrasam e não recebemos nem uma justificativa”, completou.

Unificação

Paulo Solmucci, presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), destacou que a unificação no sistema de compensação é necessária, mas não foi feita da melhor maneira. Segundo ele, o problema pode tomar diversas proporções. “Tem gente que não conseguiu pagar nem boleto da Justiça do Trabalho, funcionários, caminhões que transportam produtos”, disse.

O Banco Central informou que a liquidação centralizada foi implantada conforme estabelecido na regulamentação e o resultado está dentro do previsto. “Os problemas relatados, contudo, não dizem respeito à liquidação centralizada propriamente e refletem dificuldades pontuais de algumas poucas instituições financeiras. Vários dos problemas ocorreram na semana passada, durante período de contingência, e foram, na sua maioria, sanados”, disse por meio de nota.

Fonte: Correio Braziliense

Durante reunião com o senador Romero Jucá (PMDB/RR) nesta quinta-feira, o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, defendeu a votação do projeto de refinanciamento das dívidas tributárias das micro e pequenas empresas (PLP 171 de 2015), assim como a inclusão da proposta de um cadastro positivo fiscal dos empresários bons pagadores, no texto do projeto. “Primeiro, nós temos que fazer um refinanciamento de quem está devendo, para entrar no próximo ano, que é o ano da retomada, em condições de continuar gerando os empregos e renda. E o cadastro positivo fiscal, para quem está em dia com todas as obrigações, por direito, a taxa de juro, devido ao menor risco, tem que ser menor”, comentou Afif.

Romero Jucá e Afif Domingos. Foto: Tiago Orihuela

“O microempresário tem uma posição fundamental na economia brasileira. É quem mais emprega, é quem está em cada localidade desse país gerando emprego”, comentou o senador. “Estou aqui me empenhando para conduzir esse processo rapidamente aqui no Senado, de preferência ainda este ano”, concluiu Jucá. O plenário da Câmara aprovou o regime de urgência da proposta do Refis e aguarda votação, antes de seguir para o Senado.

Assista ao vídeo com a entrevista de Romero Jucá e Afif Domingos:

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

A recente aprovação pelo Senado do PLS 212/2017, que permite a inclusão de consumidores no cadastro positivo sem prévia autorização, tem potencial para levar o mercado de crédito do país a um outro estágio, segundo Cláudia Viegas, consultora da LCA Consultoria. Vale lembrar que a lei ainda precisa passar pelo crivo da Câmara dos Deputados.

Em palestra realizada no 18º Congresso da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a consultora afirmou que, assim que o cadastro positivo atingir massa crítica, poderá reduzir a inadimplência em 45%.

Cláudia Viegas, consultora da LCA Consultoria. Foto: Vinicius Cordeiro/Divulgação

Esse efeito, diz ela, terá impacto direto no spread bancário (diferença entre o custo do dinheiro para o banco e quanto ele cobra do consumidor nas operações de crédito), que pode ser reduzido em 4,05 pontos percentuais.

Se isso se concretizar, a redução da taxa básica de juros será de 1,5 ponto percentual, tendo um impacto positivo de 0,54 ponto percentual ao ano no produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Em outras palavras, os efeitos da redução do risco do crédito – garantida pela menor inadimplência – ajudarão o país a crescer.

Isso é possível, disse Cláudia, porque o cadastro positivo permite separar o bom pagador daquele que não cumpre com suas obrigações financeiras.

Isso é bom para a economia como um todo, mas também pode trazer vantagens individuais a este consumidor que honra suas dívidas. “Se consigo identificar o consumidor como bom pagador, separo ele do risco médio e ofereço taxas de juros melhores a ele”, disse a consultora.

O cadastro também pode funcionar como uma ferramenta de inclusão social, explicou Cláudia. “Quem está de fora do mercado de crédito não consegue mostrar que honra as obrigações financeiras.

Com o cadastro positivo, será possível enxergar esse consumidor, vendo seu histórico de pagamento, e oferecer crédito a ele”, disse.

Não se trata de algo experimental. Alguns países, como Japão e Estados Unidos, já desfrutam dos benefícios da segregação entre bons e maus pagadores. No Japão, por exemplo, o cadastro positivo conseguiu aumentar em 10 pontos percentuais a penetração do crédito entre a população, ajudando a aumentar o PIB daquele país em 0,33pontp percentual.

Como funciona

O cadastro não traz exatamente novas informações. O fato é que o histórico de crédito de um consumidor já está por aí, mas de maneira pulverizada.

Os gastos mensais com energia elétrica já estão nas mãos das distribuidoras de energia. As parcelas restantes para quitar financiamentos habitacionais, com os bancos. E assim vai. O que o cadastro positivo faz é agrupar essas informações em um único banco de dados.

O acesso a esse conjunto de informações dos consumidores só poderá ser realizado por empresas associadas a um dos birôs de crédito autorizados a manter o Cadastro.

Essas informações poderão ser compartilhadas entre os birôs, ou seja: lojistas associados à Boa Vista SCPC, por exemplo, poderão ter acesso às informações de consumidores capturadas pela Serasa Experian.

Lojistas ou instituições financeiras poderão acessar as informações dos consumidores quando desejarem. Assim, comerciantes podem traçar o perfil financeiro dos seus clientes; e financeiras podem prospectar potenciais tomadores de crédito, por exemplo.

É importante lembrar que os dados aos quais os lojistas terão acesso são relativos ao comportamento financeiro do consumidor.

Aqui entram seus gastos com financiamentos e compromissos fixos, como aqueles com tv a cabo, telefone ou água, entre outros. Não haverá acesso algum a informações da conta bancária do consumidor, ou aplicações financeiras.

Fonte: Diário do Comércio

A economia brasileira cresceu 0,1% no terceiro trimestre frente aos três meses anteriores. Foi o terceiro resultado positivo. Em setembro, na comparação com agosto, também houve crescimento de 0,1%, segundo dados do monitor do PIB-FGV, divulgados pela Fundação Getulio Vargas nesta quinta-feira (23). Os números já consideram ajustes sazonais.

A indústria de transformação e o comércio apresentaram os melhores resultados no trimestre, de acordo com o indicador. O setor de construção também cresceu 0,2% no período, após 10 trimestres de queda. Já a agropecuária recuou pelo segundo trimestre consecutivo, após resultado excepcional nos primeiros três meses do ano.

A FGV destacou que as estimativas do Monitor do PIB para o terceiro trimestre são excepcionais porque incorporam resultados definitivos divulgados pelo IBGE para o PIB de 2015, que foi corrigido de uma retração de 3,8% para queda de 3,5%.

Em termos monetários, o PIB acumulado em 2017 até o mês de setembro, em valores correntes, alcançou 4,917 trilhões.

Comparação com 2016

Na comparação com o mesmo período de 2016, o PIB cresceu 1,3% no terceiro trimestre.

Tiveram destaque a agropecuária (10,2%), a indústria de transformação (3,3%), o comércio (5,3%) e os transportes.

A construção ainda apresentou recuo de 6,4% e os serviços da informação caíram 4,9%.

Veja o desempenho interanual por setor:

Investimento

O investimento (Formação Bruta de Capital Fixo) apresentou o primeiro resultado trimestral positivo em 40 meses (desde abril de 2014), na comparação com o terceiro trimestre do ano anterior, com alta de 0,2%. O resultado foi freado pelo fraco desempenho da construção civil, que diminuiu 5,3%, apesar de estar em trajetória ascendente. Já o componente máquinas e equipamentos cresceu 9,7%.

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 2,8% no terceiro trimestre em comparação com igual intervalo de 2016. Todos os bens de consumo apresentaram crescimento nessa comparação: o consumo de bens não duráveis cresceu 2,5%, o de semiduráveis 11,6%, e o consumo de duráveis 11,7%. A única taxa negativa foi a de consumo de serviços (-0,1%).

Exportação

As exportações cresceram 6,8% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2016. Tiveram destaque a exportação dos produtos da agropecuária (que cresceu 38%), da extrativa mineral (12,9%), de bens de consumo duráveis (31,7) e de bens intermediários (11,1%).

Importação

A importação aumentou 6,9% no terceiro trimestre, na comparação com igual período de 2016. Todas as categorias de bens cresceram, com exceção dos bens de consumo duráveis, cuja importação caiu 8,1%.

Entenda

Bens de capital

São aqueles usados na produção de outros bens, como máquinas, equipamentos, materiais de construção, instalações industriais.

Bens intermediários

São os comprados de outra empresa para o processo de produção, como uma bobina de aço adquirida de uma siderúrgica para a fabricação de um automóvel.

Bens de consumo duráveis

São aqueles que podem ser utilizados durante longos períodos, como automóveis e geladeira.

Bens de consumo semi-duráveis e não duráveis

Os semi-duráveis podem ser considerados os calçados e as roupas, que vão se desgastando aos poucos. Já os não duráveis são aqueles feitos para serem consumidos imediatamente, como os alimentos.

Fonte: G1