Autor do livro “Felicidade dá Lucro” e ganhador do prêmio Great Place to Work (GPTW), Marcio Fernandes falou no Congresso Empresarial Paranaense e 4º Fórum Nacional CACB Mil, nesta sexta-feira (20), em Foz do Iguaçu, sobre a necessidade de um novo modelo de gestão nas empresas, em que o lucro é fruto da felicidade das pessoas. “O funcionário que boicota a empresa faz isso porque não aguenta ficar lá dentro. E não adianta dar treinamento, isso é feito há 50 anos. A gente precisa fazer diferente”, afirmou ele.

Márcio Fernandes, presidente da Elektro. Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

Segundo ele, para conseguir engajar os funcionários, é preciso ter um propósito. Quando empresas e pessoas têm propósitos, argumenta ele, só é necessário encontrar a convergência entre os dois. Isso constrói a ideia de que o sonho de cada colaborador é respeitado, e que a empresa é um meio para chegar nesse objetivo. “Com isso, as pessoas deixam de ser alguém que está lá porque é obrigado e passam a ser alguém que escolheu aquilo para a vida dela”.

Mas para conseguir implementar esse novo modelo de gestão, Marcio Fernandes diz que é preciso realizar mudanças dentro da empresa. “É necessário ter líderes facilitadores, e não chefes. Não pode ser uma pessoa que centraliza poder, mas, sim, que agrega. O ego normalmente atrapalha esse processo”. Mudanças que, ele garante, impactam positivamente no lucro.

Se abrirmos o Youtube e digitarmos na busca o termo “inovação disruptiva”, certamente o nome de Arthur Igreja aparecerá em boa parte dos primeiros resultados. Empresário, investidor anjo e proprietário da Disrupt Investimentos, Igreja falou esta tarde para empresários de todo o País. Criar experiências que o digital não pode oferecer foi o destaque de sua palestra.

Arthur Igreja. Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

“As pessoas pagam caro para ir ao Rock in Rio pela experiência que ele oferece. O digital não pode entregar o mesmo para o público”, explicou o palestrante. Para ele, olhar no olho dos clientes e fazer um atendimento mais humano é o que pode criar uma experiência semelhante à do festival de música.

Arthur Igreja, diretor da Disrupt investimento, durante sua fala. Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

Arthur também falou sobre o que chama de atrito de experiência. Como exemplo, citou uma ida de qualquer pessoa à uma loja de sapatos. “Quando você olha um sapato na vitrine, você já imagina ele no seu pé, em casa ou em uma ocasião especial. Aquele momento que o vendedor vai busca-lo no estoque ou que você pega a fila para pagar é o que chamamos de atrito de experiência, que é o que a tecnologia tem trabalhado para extinguir”, disse.

Segundo Igreja, a velocidade de transformação do mundo não é absorvida em sua plenitude por todos os empresários brasileiros. “Observamos a abertura e o desaparecimento de muitas empresas, por este motivo. Ainda sinto o Brasil muito cético com relação a isso. A necessidade de estar conectado e se reinventar é algo que deve ser visto com fascínio e como oportunidade”, destacou.

Na opinião de Arthur, apesar de tudo o que está acontecendo mundo afora com empresas que crescem muito rápido, é uma boa base educacional que gera pessoas capazes de criar empreendimentos únicos e de grande sucesso, o que ainda não temos no Brasil. “Nosso País está estagnado na educação. Poucos lugares no Brasil estão capacidades de desenvolver negócios inovadores”, criticou.

O painel de Arthur Igreja integrou a programação do 4º Fórum Nacional CACB Mil e Congresso Empresarial Paranaense, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Allan Costa

Desligar o piloto automático para fazer acontecer foi o conselho dado por Allan Costa, que mostrou aos empreendedores presentes como é possível acertar. Ele mostrou como a tecnologia está inserida na vida diária e como mudamos os hábitos e inserimos novos conceitos, e falou que estamos vivendo a era das mudanças exponenciais.

Allan Costa. Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

Falou em coragem para modificar os rumos, e numa verdadeira cultura empresarial enfatizando que, muitas vezes, olhando para o outro lado é que se encontram as oportunidades. Disse que não se planeja mais por longos prazos (o Google, por exemplo, planeja por três meses) e enfatizou que todos precisam de propósito.

Deixou claro também que a vida ganha sentido quando se troca as trilhas percorridas e conhecidas por aquelas menos percorridas para ver outras paisagens e deixarmos a mediocridade de lado. Para encerrar, lembrou que o mais triste é percebermos que nossos propósitos ficaram de lado e que a vida não nos dá mais tempo para cumpri-los.

“Vai lá e faz”, este é o mantra da Perestroika, uma escola livre de atividades criativas de Porto Alegre. “Isso reflete nossa postura de negócios voltada para a ação, não para o planejamento”, diz o cofundador Felipe Anghinoni. Segundo ele, a empresa planeja um pouquinho, mas faz bastante. “O foco na ação é o grande driver de empreendedorismo que estamos vivendo”, afirma.

Felipe Anghinoni, da Perestroika, durante sua fala. Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

Ainda sobre planejamento e ação, Anghinoni diz que “uma empresa que tem cem por cento de estratégia e não tem ação, não existe. Uma empresa que tem cem por cento de ação e não tem estratégia, ela existe, só precisa de um plano estratégico”.

Ideias de sucesso com foco na ação foram apresentadas, como o Dropbox e a Techshop, para dizer aos empresários que é preciso estudar como planejar, mas agir mais em prol dos negócios, saindo da zona de conforto. “Quando estou fora da minha zona de conforto, eu estou crescendo e aprendendo mais”, declarou.

Para Anghinoni, nunca foi tão fácil fazer qualquer coisa no mundo. Tocar instrumento, cozinhar, virar artista ou publicar um livro: “tudo está fácil, desde que haja ação, desde que você vá atrás”, diz.

Visão empresarial

Luiz Quinderé, do Brownie do Luiz, durante sua fala. Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

O case do Brownie do Luiz é um exemplo de visão empresarial na adolescência. Luiz Quinderé começou aos 15 anos, ainda na escola, quando levava o doce para comer no recreio e, por isso, fazia sucesso entre os amigos. Foi então que ele decidiu transformar aquilo em um negócio e, com a ajuda da pessoa que trabalhava em sua casa, começou a comercializar brownies. Hoje é considerado um dos 30 jovens mais promissores pela revista Forbes.

A demanda foi crescendo e diante das oportunidades, Luiz se viu obrigado a se inovar e ampliar o negócio ainda mais. A ideia do reaproveitamento foi um dos principais destaques do Brownie do Luiz. As bordas dos tabuleiros dos brownies, que antes iam para o lixo, se transformaram no “Veneno na lata”, que era comercializado em potes de achocolatado reaproveitados. “As bordas são tão mais saborosas que eu tive que me reinventar e criar uma receita só disso, já que a demanda era maior que a da receita tradicional. Muitas vezes é difícil enxergar, mas há muitas oportunidades que nós jogamos no lixo sem ter ideia do valor que aquilo tem”, conta.

Inovação é uma das principais características do negócio. “Ninguém quer comer doce no verão do Rio de Janeiro. As pessoas querem algo gelado, para refrescar, daí criamos o picolé de brownie, que também já é um sucesso”, conta. Além disso, hoje há parcerias com redes de restaurante que comercializam milk-shake e koni com a receita do Brownie do Luiz.

De uma fábrica de 25 m², o negócio se transformou em 4 lojas no Rio de Janeiro,  mais de 500 pontos de vendas e comercialização para todo o Brasil através da internet. “Eu tenho muita sorte, mas acho que isso vem de trabalho. Quanto mais eu trabalho, mais sorte tenho”, acredita.

Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

Ao fim do painel, o presidente da CACB, George Pinheiro, subiu ao palco para parabenizar os palestrantes e dizer que eles mexeram com o cérebro dos empresários que assistiram as palestras. “É essencial que nós estejamos sempre nos renovando. Vocês mostraram isso e provaram que devemos estar sempre antenados. É muito bom pensar e planejar, mas é muito melhor fazer”, finalizou.

Guilherme Gonçalves presidente da Conaje. Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

“Cabeça na nuvem, pé no chão e mão na massa. Isso vale não apenas para os jovens, mas para todos. São as diferenças que fazem as coisas mais bonitas”, disse Guilherme Gonçalves, presidente da Confederação Nacional de Jovens empresários, que ao lado de Marcos Rinaldi, presidente da Faciap Jovem, mediou o painel “Coragem para empreender e inovar”, no 4º Fórum Nacional CACB Mil e Congresso Empresarial Paranaense.

Mesmo que os indicadores apontem para uma retomada do crescimento econômico, o setor de varejo precisa ter cautela, já que o próximo ano será de eleições e, portanto, de indefinições que, na verdade, representam a grande inimiga da estabilidade. Foi desta maneira que Maurício Louzada falou aos empresários no 4º Fórum CACB Mil e no Congresso Empresarial Paranaense, que encerram nesta sexta-feira (20), em Foz do Iguaçu.

Maurício Louzada, profissional Coach. Foto: Itamar Aguiar/Agência Freelancer.

De acordo com o palestrante, que realizou até agora 287 palestras neste ano, falando sobre o varejo, as eleições de 2018 podem modificar o cenário e, com isso, os empreendedores necessitam estar prontos para desafios que poderão não corresponder às tendências de agora.

Reforçado por frases como “nada é mais perigoso para o amanhã do que o sucesso de ontem”, Maurício Louzada mostrou como as mudanças de comportamento e atitudes estão chegando velozmente, citando como exemplo,  que o maior edifício do mundo, o Empire State Building, desde 2015 caiu do  primeiro para o 21º lugar.

Ele citou exemplos que deverão ser seguidos neste cenário de incertezas, como o da percepção de mudança de estratégia, planejamento, correção de rota.